O SENHOR É CONTIGO, HOMEM VALOROSO...

"NÃO TENTE SE TORNAR UM HOMEM DE SUCESSO. EM VEZ DISSO, TORNA-SE UM HOMEM DE VALOR." - ALBERT EINSTEIN

terça-feira, 15 de junho de 2010

QUAL O PAPEL DA MULHER NA IGREJA?

Que do mesmo modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos preciosos, Mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras. A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição. Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão. Salvar-se-á, porém, dando à luz filhos, se permanecer com modéstia na fé, no amor e na santificação – 1Tm2.9-15

O PERFIL DE UMA MULHER CRISTÃ:
1. Mulher crista deve ser “moderna” sem perder o “modesto” – v9 - A cidade de Éfeso era uma cidade rica que vivia do comercio, e algumas mulheres competiam entre si por atenção e popularidade. Naquele tempo, os penteados caros e decorados com jóias faziam parte do processo de ascensão social; Paulo faz um apelo ao bom gosto e ao bom senso na cultura. As mulheres crentes deveriam vestir o seu comportamento de uma maneira que completasse o seu caráter, em vez de discordar dele. Elas não deveriam prejudicar a adoração atraindo a atenção para si mesma. A Mulher crista não deve se vestir com decotes, mini saias e roupas que atrai a atenção para si. Na versão ARA a palavra “decente” significa – com “decoro e ordem”. Os trajes de uma mulher devem ser decentes, bem arrumados e de bom gosto. A “modéstia” indica que ela evita exageros. Observe que a palavra “bom senso”, que aparece na ARA significa – “ter uma mente sóbria e discernente”. E importante contrastar com mulher alheia de Provérbios 7.
2. Mulher crista deve ser piedosa – v10 - Paulo enfatiza que a mulher crista não deve somente se preocupar com a aparência exterior, mas sim também com a interior; Possuir o caráter de Cristo em sua vida – Gl5.22; Em outras palavras Paulo esta dizendo que a mulher crista deve ser uma “mulher espiritual”, e que está deve praticar boas obras, como disse Martinho Lutero, “não são as obras que fazem um homem bom, mas um homem bom que faz boas obras”. Temos uma nossa mais profunda sobre as boas obras que Paulo está tratando quando lemos 1Timóteo 5.10; Atos16.15.
3. Mulher crista é educável – v11 - o termo “silencio” é uma tradução infeliz, pois da impressão de que as mulheres cristas não devem jamais abrir a boca dentro da Igreja. O que estava acontecendo aqui é que algumas mulheres estavam abusando da liberdade que haviam encontrado recentemente em Cristo e estavam tumultuando os cultos com suas interrupções – 1Cor14.34,35. Não se pode esquecer que na cultura judaica do século I, as mulheres não tinham permissão de estudar. Os judeus e os gentios consideravam vergonhoso que as mulheres discutissem certas questões em publico com os homens. Os judeus eram ainda mais restritos, não permitindo que as mulheres nem mesmo ensinassem os seus filhos homens com idade superior a cinco anos. Na filosofia grega, Platão concedeu às mulheres á igualdade dos homens, Aristóteles limitava severamente as atividades delas, e sua visão era aceita mais amplamente. Quando Paulo disse que as mulheres poderiam aprender, ele estava afirmando o reconhecimento delas como membros educáveis da igreja. As mulheres cristas tinham os mesmos direitos iguais aos dos homens quando se tratava de estudar as Sagradas Escrituras. Está era uma liberdade surpreendente para as mulheres judias e gentias que se tornavam cristãs. A palavra “silêncio” no grego é “sossegada, calma, voluntariamente controlada”. Não devemos barrar o crescimento intelectual das mulheres dentro da Igreja, pois nada impede de elas serem, professoras de escolas bíblicas dominicais, e educadoras cristãs.
4. Mulher crista conhece os seus limites – v12 – A expressão “use de autoridade” encontrada somente aqui no Novo Testamento, dá a entender uma “atitude dominadora, e drástica, um abuso de autoridade”. Aqui aprendemos que as mulheres podem ensinar, mas em seu ministério de ensino, as mulheres não devem mandar nos homens. Um das coisas belas que deve ser admirada nas mulheres cristas é sua submissão; Ela sabe o seu lugar dentro da casa de Deus; Há mulheres em nossos dias por pregarem a palavra, serem denominadas pastoras, não respeitam pastores, lideres e muitas vezes até os seus maridos, e isto se constitui um mau exemplo para as demais jovens da Igreja.
5. Mulher crista conhece sua missão – v13-15 – Paulo aqui apresenta vários argumentos que apóiam a admoestação de que os homens cristãos da igreja devem ser os lideres espirituais:
a. O primeiro argumento se refere à criação – O primeiro a ser formado foi Adão e depois Eva; É lógico que devemos sempre lembrar de que a “prioridade” não significa “superioridade”. Homens e Mulheres foram criados por Deus e a imagem de Deus; A questão que Paulo está tratando diz respeito à autoridade.
b. O segundo argumento é relacionado à queda do homem em pecado – Satanás enganou a mulher e a levou a pecar; O homem pecou deliberado e consciente. Ao rejeitar a ordem que Deus havia determinado e dar ouvidos á proposta de Eva, Adão desobedeceu a Deus e trouxe o pecado e a morte ao mundo. A submissão da esposa ao marido faz parte da criação original. A desordem que temos na sociedade hoje em dia é resultado do desrespeito a essa ordem estabelecida por Deus. Por causa da queda a mulher ocupa uma posição inferior ao homem – Gn3.
c. O terceiro argumento se refere à missão de ser mãe – Paulo aqui enfatiza as mulheres da época que seu ministério não é mandar na Igreja, mas cuidar do lar e ter filhos para a Gloria de Deus – 1Tm5.14; Sua congregação no lar lhes da oportunidade de sobra para ensinar a Palavra e ministrar aos santos.
Esclarecimento teológico sobre o Papel da Mulher na Igreja nos dias atuais:
1. Na hermenêutica existe uma regra que diz que a exceção não se constitui uma regra; Ou seja, há exceções, mas não podem ser usadas como doutrinas. Por exemplo, nos 66 livros da Bíblia temos somente duas exceções de Liderança conduzida por mulheres, Raquel, uma pastora de rebanhos e Débora, juíza em Israel; São exceções, e exceções não servem como regra, ou seja, não são doutrina.
2. Na hermenêutica existe a regra histórica, que muito ajuda na interpretação de textos isolados e complexos; Como o caso citado por Paulo de a mulher não falar em publico na Igreja – 1Cor14.34,35; 1Tm2.11.
3. Na hermenêutica existe uma regra chamada de costumes e doutrinas; costumes mudam doutrina não; Por exemplo, o papel da mulher determinado por Deus desde o Édem – Gn3.16; ratificado por Paulo em 1Cor11.2,3; e Ef5.23 e afirmado por Pedro em 1Pe3.1, é a Submissão e Sujeição ao Marido.
4. Na hermenêutica investigativa, entendemos que o papel dado por Deus a mulher é em especial dentro do lar, percebemos isto no Salmo 128.3.
Só o futuro há de revelar o efeito da ausência de uma mãe ao lado do filho no período de sua infância.

domingo, 30 de maio de 2010

A CONVERSÃO

A mim, que dantes fui blasfemo, e perseguidor, e injurioso; mas alcancei misericórdia, porque o fiz ignorantemente, na incredulidade. E a graça de nosso Senhor superabundou com a fé e amor que há em Jesus Cristo – 1Tm1.13,14.
Introdução – Estamos hoje vivendo uma das mais agudas crises ministeriais de todos os tempos, e está é uma das razões do ministério cristão estar em crise é a grande quantidade excessiva de ministros não convertidos ocupando o santo ministério – Leia – (1Sm2.12). Isto é grave, são homens que entrarão para o Evangelho, mas que ainda o Evangelho não entrou nele; Homens que carecem de uma profunda experiência de salvação em Cristo.
Não esqueça, dentro da Igreja existem pelo menos “quatro tipos de crentes”:
1. Conformado – com o mundo;
2. Deformado – com o pecado;
3. Reformado – com a religião;
4. Transformado – mudança radical, convertido a Deus.
“O EVANGELHO DA GLÓRIA DO DEUS BEM AVENTURADO” – V11
Paulo em sua exposição começa mostrando a Timóteo o que o Evangelho de Jesus Cristo pode realizar e fazer na vida do Homem; E também destaca em sua exposição pessoal destaca três coisas que são exclusivamente atribuídas a Deus para com a vida do homem; Vejamos os três benefícios estreitamente relacionados:
1. E dou graças ao que tem confortado, a Cristo Jesus, Senhor nosso – “Capacitação”; Paulo por si só, nunca poderia alcançar o significado para o Reino de Deus que ele alcançou, sem a forca capacitadora de Deus em sua vida.
2. Porque me teve por fiel – “Consideração”; Paulo aqui reconhece que após sua conversão Deus o teve por digno de confiança de receber a tarefa de ser o que levaria o Evangelho aos gentios e outros mais sobre a face da terra.
3. Pondo-me no ministério – “Designação”. Paulo aqui destaca sua designação para o ministério de Jesus Cristo na terra, frisa que quem põe o homem no ministério é Deus.
O ANTES DE O DEPOIS – “FUI” “ALCANCEI” – v13,16
O VELHO HOMEM – Saulo
Podemos conferir todos estes traços em sua biografia nos capítulos de Atos 9;22 e 26; Sua conversão é tão relevante que o Doutor Lucas a registra por três vezes em Atos. Vejamos aqui alguns traços:
1. Blasfemo – v13;
2. Perseguidor – v13;
3. Opressor – v13;
4. Ignorante – v13;
5. Incrédulo – v13.
O NOVO HOMEM – Paulo
1. Grato – v12; Paulo agora é agradecido por tudo que Deus realizara em sua vida;
2. Humilde – v15; Paulo é desprovido de toda a auto-suficiência, prepotência e soberba, e é aqui revelado uma das grandes marcas de seu ministério a humildade;
3. Cristocêntrico – v12,15,16; Hoje, numa época que o antropocentrismo é visível por todos os lados, o homem no centro de tudo; Paulo nos mostra que respirava Cristo a todo momento de sua vida.
4. Adorador – v17; Paulo introduz no final de sua exposição pessoal um cântico de Adoração a Deus, do qual ele chama de – “Rei dos séculos, Imortal, Invisível, Único, do qual é a honra, e a Gloria.
Conclusão – É hora de buscarmos uma profunda experiência de Deus em nossa vida, buscando ter as marcas de um Novo Homem em Cristo Jesus; Oxalá que podemos hoje dizer – hoje sou um novo homem em Cristo.


HOMENS DE ORACÃO...

ADMOESTO-TE, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens - 1Tm2.1
Neste texto Paulo fala que o ministro deve equilibrar a ministracão da Palavra de Deus e a Oração; A Palavra instrui a Igreja, e a Oração inspira a Igreja obedecer á Palavra.
A Igreja que tem muito estudo Bíblico e pouca Oração tem “muita luz, mas pouco fervor”. Ela é ortodoxa, mas fria; E outro extremo é a Igreja que tem muita oração e entusiasmo religioso, mas pouco ensino da Palavra, esse tipo de Igreja produz pessoas com fervor, mas sem conhecimento.
É de suma importância lembrar que Paulo pede a Timóteo orientar os crentes a orar pelos governantes, por que Nero era na época o imperador de Roma e promovia grandes perseguições a Igreja e aos crentes – 54 – 68 d.C.
Pensamentos sobre oração:
Alguém disse - “Nenhum homem é maior do que a sua vida de oração”
“Oração é o termômetro que mede nossa espiritualidade”
1. Oração e sua importância - “antes de tudo” – v1a.
A oração encabeça a lista de Paulo, a igreja local não ora porque se espera isso dela, mas porque isso é vital para a vida dela; O Espirito Santo opera na vida do obreiro por meio da oração e da Palavra de Deus; O obreiro que ora tem “poder” e causa impacto duradouro a favor de Cristo. O obreiro não pode permitir que seu ministério fique sem ser regado com oração; O obreiro deve reservar no seu cotidiano alguns momentos para a oração.
2. Oração e sua natureza – “que façam”– v1b.
A oração praticada pelo o obreiro e automaticamente pela igreja deve possuir alguns tópicos para serem apresentados na oração;
a. “Deprecações”, (ARA) é “suplicas”, ou seja, significam petições em prol do cumprimento de certas necessidades específicas que são agudamente sentidas, pedidos, solicitações distintas – significa contar a Deus suas necessidades;
b. “Orações” – aqui tem o sentido mais geral, significa tudo cujo sentido é culto e adoração a Deus;
c. “Intercessão” – significa uma súplica no interesse de outrem, pedidos a favor do nosso semelhante; É estar na sala de audiência Deus para dialogar com Deus sobre a necessidade de outro;
d. “Ação de Graças” – significa momento na oração para agradecimento a Deus pelo que ele fez.
3. Oração e seu objetivo – “pelos”; “por todos” – v2.
A oração exercitada pelo obreiro deve possuir uma direção, um alvo e objetivo; Paulo aqui instrui o obreiro a orar para que tenhamos uma “vida quieta e sossegada, em toda piedade e honestidade” e “para que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade”. Ou seja, ele estava dizendo que nossas orações devem ter objetivo; Não são poucos os crentes que passam um bom tempo em oração, mas não obtém resultados significativos por não terem objetivos.
4. Oração e sua condição – “sem” – v8
Neste texto bíblico Paulo coloca pelo menos três condições para a oração do obreiro e automaticamente da igreja ser recebida e respondida por Deus;
1. “Sem ira” – ou seja, sem condição emocional para se sintonizar na oração; Deus não opera na ira do homem – Tg1.20; Paulo aqui esta nos orientando que devemos estar com o nosso coração, mente preparados para falar com Deus; O presente versículo indica sem duvida alguma, fala da ira contra nosso semelhantes, sobre o espírito vingativo – Mt18.21-35.
2. “Mãos santas” – ou seja, “puros”; vida pura e obediente a Deus e sua Palavra.
3. “Sem contenda” – ou seja, precisamos não ter nenhuma pendência com o nosso semelhante, precisamos estar na medida do possível gozando de união e paz com todos.
Impedimentos a oração que devem ser observados:-
1. Desobediência – (Dt1.42 – 46);
2. Pecados secretos – (Sl66.18);
3. Indiferença – (Pv1.28,29);
4. Falta de misericórdia – (Pv21.13);
5. Desprezo a Palavra – (Pv28.9);
6. Instabilidade na Fé – Duvidas – (Tg1.6,7);
7. Motivos Fúteis – Motivos egoístas – (Tg4.2);
8. Desajustes no lar – (1Pe3.7).
No obstante, o que o texto enfatiza não é a “postura do corpo” ou a “posição das mãos”, mas a atitude “interior da alma”. As mãos que se erguem devem ser santas, ou seja, devem ser mãos que não estejam contaminadas por delitos anteriores; Uma pessoa que acaba de cometer um homicídio, um adultério, ou roubo não deve imaginar que sem perdão e a reparação, quando essa boa obra for possível, ela agora erguer as mãos numa oração que seja agradável a Deus – Sl24.3,4; Mt5.23,24.
Como ter uma oração eficaz?
1. Ore, mais não esqueça a palavra chave – Jesus - (1Tm2.5; Jo14.14).
2. Ore, mais agradeça – (Fl4.6; Cl4.2; Jo6.11) Temos mais para a agradecer do que para pedir a Deus - (Exemplo Paulo e Silas).
3. Ore, mais persevere – (Ef6.18;Lc18.1;11.5-10) manter horários para orar, ser espontâneos na oração, constantemente voltar o coração para Deus -(Exemplo Daniel).
4. Ore, mais se lembre do seu semelhante – seja Generoso - (1Tm2.1-5)
5. Ore, mais procure saber a vontade de Deus sobre o assunto – (Fl2.13; 2Cor12.1-10).





terça-feira, 11 de maio de 2010

ALGUNS......

Como te roguei, quando parti para a Macedônia, que ficasses em Éfeso, para advertires a ALGUNS, que não ensinem outra doutrina - I Timóteo 1.3,6,19
A sã doutrina e a outra doutrina
É do nosso conhecimento que existe três grandes classes de doutrinas:
1. Doutrina de Deus – (1Tm1.10); que é chamada de “sã doutrina”, “υγιαινω” “hugiaino”, que nos originais tem o seguinte sentido, “ensino de cristãos cujas opiniões estão livres de qualquer contaminação de erro”.
2. Doutrina de Homens – (1Tm1.3,4); que se encaixa no que Paulo chama de fábulas, genealogias interminaveis, ou seja, “ensinos cujo cunho se apoio em ideias e pensamentos humanos sem base biblica e teologica”.
3. Doutrina de Demônios – (1Tm4.1); ou seja, “ensinos cuja a inspiracao é satanica, para promover pertubacao, desturbio, desvio e confusao dentro da Igreja de Deus”, neste ultimos dias estamos vendo o mundo e as Igrejas sendo invedidas por ensinos inspirados pelo mal para prejudicar a Igreja de Deus.
O Aviso de Deus!
Quando Paulo estava partindo de Éfeso, Deus o revelou que no futuro, ou seja, sete anos depois, entraria no meio do rebanho lobos cruéis, que não perdoaria o rebanho – (At20.17-35); Sete anos depois Timóteo era o pastor de Éfeso, e este jovem pastor teve de enfrentar esta situação de desconforto, e combater esta outra doutrina que tentava retalhar o rebanho de Deus naquela cidade.
Lutar ou fugir; Qual é tua escolha?
Como obreiros de Deus devemos estar preparados para combater este tipo de ensino que por muitas vezes quer penetrar na Igreja, através de “alguns”, que por muitas vezes se dizem mestres e doutores da palavra; Nunca podemos nos esquecer que todo ministério marcado pela excelência deve se preparar para enfrentar pelo caminho os “alguns”; Alguns são certas pessoas que ensinam e contradizem a verdadeira doutrina bíblica e mais são produtores de questões e contendas.
É sempre assim, nos dias de Moises apareceram alguns questionando autenticidade de sua liderança – (Nm16.1-50); Nos dias de Davi levantou alguns contra seu Reinado e Governo – (2Sm15); Nos dias de Neemias levantou alguns querendo parar a obra de restauração em Jerusalém – (Nee2.10); Nos dias de Jó levantou alguns questionando sua sinceridade – (Jó4.7); Nos dias de Jesus levantou alguns questionando sua autoridade – (Mc1.21-28; 6.1-6); E também nos dias de Paulo como já se haveria de esperar levantou alguns para questionar sua chamada, seu apostolado, seus ensinos – (1Cor9.1-14; 1Tm1.3).
O preparo do Obreiro!
Todo obreiro deve estar emocionalmente e psicologicamente preparado para estes alguns que se levantam para tira-lhe a paz e provocar questões e contendas entre o povo de Deus.
Estes alguns devem ser advertidos e resistidos pelo ministério que Deus designou para verdadeiramente instruir a Igreja de Deus na terra. Podemos identificar o perfil desses alguns da seguinte forma:
1. São aqueles que ensinam outra doutrina que produz questões que não edificam – vs3,4
2. São aqueles que se desviam da sã doutrina que produz confusão e não instrui – v5-7
3. São aqueles que são contrario a sã doutrina, tornando-se culpado da lei e não a usa legitimamente – v8-11
O combate!
Como o obreiro de Deus deve combater esses alguns que se levantam para perturbar a paz da Igreja de Deus?
1. Resistindo o erro com firmeza e repreendendo seus ensinamentos – (1Tm1.3);
2. Ensinando a sã doutrina aos crentes – (1Tm4.6,11,13);
3. Sendo exemplo daquilo que se ensina – (1Tm4.7,12,15,16);
Vamos estar constantemente preparados e prontos para enfrentar estes alguns que se levantam no nosso caminho.



domingo, 9 de maio de 2010

O PERFIL DE UM OBREIRO AMAVEL

Fl2.25-30



Introducao – O significado de Epafrodito é amavel; O significado do seu nome representa as caracteristicas e marcas inerentes em sua vida: Aprendemos com Epafrodito como ser um obreiro amavel:
1. Um obreiro amavel é um irmao – v 25
Quando se diz irmao, se entende que pertence a mesma familia, temos o mesmo pai, possuimos a mesma educacao e temos a mesma heranca. Isto fala que Epafrodito tinha alcancado um gral de amizade com Paulo que passou de amigo para irmao – Pv17.17.
2. Um obreiro amavel é cooperador – v25
Epafrodito nas estava preso em vaidades de titulos e funcoes; Era um obreiro desprovido de qualquer vaidade pessoal, se contentava de ser chamado de cooperador, ou seja aquele que coopera, aquele que contrinue ao lado de alguem; Ele não estava preucupado de estar na linha de frente da fila; Se contentava de estar ao lado de um gigante espiritual como Paulo. Cooperador é aquele que muitas vezes não aparece nos grandes e mega trabalhos que são desenvolvidos; Mas esta muitas vezes no anonimato e tem uma grande participacão naquele servico.
3. Um obreiro amavel é companheiro nos combates – v25
Se entende que companheiro é aquele que coopera em uma obra; Companheiro é aquele que não permite que caminhemos sozinhos na estrada da vida; São aqueles que não abrem mao de estar ao nosso lado nos desafios ministeriais; Companheiro é aquele que participa de nossos momentos de alegria e tambem de tristeza.
4. Um obreiro amavel é aquele que supre as nescessidades presentes – v25
Epafrodito foi enviado para suprir as nescessidades de Paulo o lider, e tambem da igreja que foi enviado. Epafrodito estava pronto a suprir as nescessidades financeiras como tambem as espirituais da Igreja. O obreiro deve ter em mente que onde quer que ele chega a nescessidades a serem supridas, e como um bom despenseiro de Deus, deve estar pronto para supri-la.
5. Um obreiro amavel é aquele que passa por tribulacoes e não desiste – v26
Epafrodito mesmo sempre um obreiro de grande utilidade, tambem amado pela Igreja e de grandes virtudes, não ficou isento de aflicoes, diz a Biblia ficou doente. Aqui nos aprendemos que mesmos os grandes homens de Deus que estao envolvidos na obra de Deus passam por tribulacoes, sejam elas fisicas ou espirituais. Muitos dizem que os verdadeiros crentes não ficam doentes, isto não é verdade. Muitos atribuem a enfermidade ao diabo, isto não é verdade; Muitos dizem que a enfermidade é consequencia do pecado, isto não é verdade; Crente fiel tambem fica doente.
6. Um obreiro amavel é socorrido por Deus em tempo oportuno – v27,28
Paulo diz que Epafrodito foi atendito por Deus; Deus não permitiu que Epafrodito fosse ceifado por aquela terrivel enfermidade, pois seria uma perca para pelos menos em tres direcoes – Deus na sua obra; Paulo como companheiro; Igreja como obreiro. Aqui aprendemos que o obreiro de Deus por muitas vezes passa por momentos de tribulacoes e aflicoes, mas sempre é socorrido por Deus; Devemos entender que aquele que se coloca a disposicao do Reino, sempre sera assistido pelo Alto e Sublime Trono.
7. Um obreiro amavel é aquele que sempre onde chega, é recebido com alegria e honra – v29
Paulo estava dizendo que Epafrodito provocaria na Igreja alto indice de alegria; Paulo estava dizendo que a presenca de Epafrodito causaria na Igreja muita alegria; Não são poucos os obreiros que em vez de provocar alegria onde chega, são motivos de grande tristeza; Paulo estava dizendo que Epafrodito era digno de Honra, obreiros amados devem ser honrados; O mundo honra tanto pessoas desquelificadas, ebrios, profanos, alcolotras, e drogados; Por que não honrar homens de Deus? Porque não honrar aqueles que dao sua vida em prol do Reino de Deus?
8. Um obreiro amavel é aquele que esta disposto a dar sua propria vida em prol da obra de Cristo – v30
Este versiculo revela muitas coisas – primeiro renuncia, Epafrodito estava disposto a renunciar sua vida por amor a sua chamada e missao; segundo sacrificio, Epafrodito estava disposto a ser sacrificado e tido como martire para concluir sua missao; terceiro fala da sua real entrega, sem reservas para cumprir com exelencia a tarefa que recebeu de levar ajuda a Paulo. Até que ponto vai nossa entrega? Até que ponto destamos dispostos a abrir mao em prol do Reino de Cristo? Até que ponto vai nossa fé para sacrificar?

Vamos ser obreiros amaveis....

terça-feira, 4 de maio de 2010

O VALOR DO PAI ESPIRITUAL....

A Timóteo meu verdadeiro FILHO NA FÉ: Graça, misericórdia e paz da parte de Deus nosso Pai, e da de Cristo Jesus, nosso Senhor - I Timóteo 1.2



INTRODUCÃO

Como gosto da expressão Levi filho de Alfeu – Mc2.13; Bartimeu filho de Timeu – Mc10.46; Jesus, Filho de Deus – Mc1.1, pois aqui esta apontado a árvore genealógica do individuo, ou seja, quem é o seu Pai espiritual, quem lhe deu a educação, cultura, princípios e sua formação; Aqui fica uma oportunidade de refletirmos; Quem é meu Pai espiritual?

Com base em Atos 16.1 onde Timóteo é mencionado, não se pode dizer que Timóteo se converteu e conheceu Jesus através do ministério de Paulo, e sim, que o apostolo já o conheceu convertido ao Evangelho, visto que, por assim dizer, procedia de uma família crente e piedosa, como está registrado em Segunda Timóteo 1.5. Mas quando Paulo diz que Timóteo era seu verdadeiro Filho na Fé, este estava se referindo a sua formação ministerial, visto que Timóteo foi um dos autênticos companheiros de Paulo em seu ministério – (2Cor1.1; Fl1.1; Cl1.1; 1Ts1.1; 2Ts1.1).

Esta expressão “verdadeiro Filho” era usada no sentido de alguém que prestava obediência especial e valiosa a um líder espiritual, mais ou menos como os judeus chamavam seus seguidores ou estudantes de um rabino, que eram chamados de “filhos”. Naturalmente, isso não subtenderia, necessariamente, qualquer conversão do estudante por parte do rabino, mas no terreno espiritual, ainda assim manteriam certa espécie de relação paterna filial.

É interessante notar que Paulo chama Timóteo de “verdadeiro filho”, que no grego “γνησιος”, “gnesios”, que corresponde a “legitimatemente nascido, não espúrio, genuíno e sincero”.

Se existe os verdadeiros, nos leva a crer que existe também os falsos filhos; Ou seja, aqueles que estão conosco mas não tem nossa formação ministerial. Portanto temos aqui Paulo declarando que ele teria “dado a formação ministerial” para Timóteo, e que o tal possuía as mesmas características do seu pai – Fl2.19-24, é uma ilustração do significado da expressão e das palavras “de igual sentimento”. A um texto na carta de 1Cor4.14-17, que é um contraste entre Timóteo, que é chamado de filho amado e fiel no Senhor, com os crentes em corinto, que eram filhos amados mas não muito fieis no Senhor.

Paulo amava a todos os seus filhos na fé, mas alguns, porém traziam lhe muita tristeza, ao passo que outros como Timóteo verdadeiro filho, trazia muita alegria ao seu Pai espiritual; Por outro lado como obreiros do Senhor devemos estar preparados para os filhos estranhos – (Sl144.7,11), são aqueles que causam problemas na igreja local e muitas vezes trazem tristeza e dor para o nosso ministério. Como obreiros devemos formar discípulos, filhos na fé, por onde o Senhor nos plantar.

Pois o filho na fé dará seguimento a obra que o Senhor nos confiou; não devemos cometer o grave erro de Josué que não deixou filhos na fé, ou seja, discípulos, e isto trouxe um grande prejuízo a nação – Js1.1; Jz21.25. Hoje estamos enfrentando uma profunda crise de liderança, pois os lideres não se preocupam em dar formação espiritual para seus obreiros, no aspecto ministerial, isto no futuro, trará um grande abismo no que tange a liderança eclesiástica, provocando um profundo prejuízo a Igreja de Deus.

Aqui neste texto temos o “valor de um pai espiritual”, pois é este que da – formação, educação, ética, filosofia, e principio ministerial ao seu discípulo ou filho na fé. Vamos formar verdadeiros filhos na fé, como Paulo, para que estes também comuniquem o que ouviu a homens fieis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros – 2Tm2.2.



TIMÓTEO, UM OBREIRO DIGNO DE SER IMITADO

Timóteo foi um dos OBREIROS mais destacado da igreja primitiva. Não que fosse forte em todas as áreas. Ele era jovem, tímido e doente, mas foi cooperador de Paulo e o continuador de sua obra. A esse jovem líder, o apóstolo Paulo escreveu duas de suas epístolas. Como já vimos sua mãe era judia e seu pai grego - (At6.1).

Timóteo tinha bom testemunho em sua cidade e também fora de seu domicilio - (At16.2). Timóteo foi educado à luz das Escrituras desde sua infância - (2Tm3.14,15). Tanto sua avó Loide, como sua mãe Eunice eram mulheres comprometidas com Deus e com elas Timóteo aprendeu a ter fé sem fingimento desde a sua juventude - (2Tm 1.5). Em Filipenses capítulo 2. 19 a 24, o apóstolo Paulo nos fala de algumas características desse importante obreiro espiritual.

VEJAMOS QUEM ERA TIMÓTEO:

Timóteo, um obreiro que cuidava dos interesses do povo. O obreiro é um servo. Ele não visa seus próprios interesses, mas cuida dos interesses do povo de Deus. Timóteo não cuidava dos interesses do povo para alcançar com isso algum favor pessoal. Ele não usava as pessoas. Sua relação com as pessoas não era utilitarista. O apóstolo Paulo diz: “Porque a ninguém tenho de igual sentimento, que sinceramente cuide dos vossos interesses” (Fp2.20).

Timóteo, um obreiro de vida limpa (caráter provado). Timóteo era um homem de Deus. Sua vida estava centrada em Cristo. Ele era comprometido com as Escrituras, fiel a Cristo Jesus e dedicado à igreja. Timóteo não buscava glória para si mesmo. Ele não construía monumentos ao seu próprio nome. Ele buscava na igreja os interesses de Cristo. Paulo denuncia o fato de existirem na igreja homens que buscavam interesses próprios, porém Timóteo, diferente desses, buscava os interesses de Cristo. Leiamos o registro do apóstolo: “…pois todos eles buscam o que é seu próprio, não o que é de Cristo Jesus” (Fp2.21).

Timóteo, um obreiro zeloso. Timóteo tinha zelo pela sua vida e também da doutrina. Ele era um homem consistente na teologia e na conduta. Seu caráter era provado. O apóstolo escreve: “E conheceis o seu caráter provado…” (Fp2.22). Timóteo era um homem irrepreensível, que tinha bom testemunho dentro e fora da igreja. A vida do líder é a vida da sua liderança. Liderança não é apenas performance, mas sobre tudo, integridade. John Maxwell definiu liderança como influência. Um líder influencia sempre: para o bem ou para o mal. A liderança jamais é neutra. Um líder é bênção ou maldição. Timóteo era uma bênção, pois sua vida referendava seu ensino.

Timóteo, um obreiro consagrado à causa do evangelho. Timóteo não era um obreiro subserviente a homens. Ele servia ao evangelho. Paulo escreve: “…pois serviu ao evangelho, junto comigo, como filho ao pai” (Fp2.22). Ele era servo de Deus, dedicado ao serviço do evangelho. Quem serve a Deus não se submete aos caprichos dos homens. Quem serve a Deus não depende de elogios nem teme as criticas. Quem serve a Deus não anda atrás de holofotes. Servir a Deus é servir ao evangelho, é colocar a vida a serviço do reino de Deus na proclamação e ensino do evangelho.

Estamos num momento muito oportuno de transições em nossas Igrejas, uma geração está indo e outra está chegando. Que olhemos para o testemunho de Timóteo e busquemos em Deus a direção para a ordenação de novos obreiros.



terça-feira, 27 de abril de 2010

VIDA QUE NOS INSPIRAM A MUDAR....





Jonathan Edwards

Introdução

Jonathan Edwards, um pastor congregacional norte-americano que viveu no século XVIII, foi uma das personalidades religiosas mais destacadas da história da igreja nos últimos três séculos. Os estudiosos da sua vida e obra o tem considerado o maior filósofo e teólogo já produzido pelos Estados Unidos e especialmente o mais importante e influente dos calvinistas americanos. (1) Benjamin B. Warfield cita o testemunho do filósofo francês Georges Lyon, segundo o qual, tivesse Edwards permanecido apenas no campo da filosofia e da metafísica, sem enveredar pela teologia, ele talvez viesse a ocupar "um lugar ao lado de Leibnitz e Kant entre os fundadores de sistemas imortais."(2)

O fato é que, tendo sido inicialmente, durante a sua juventude, atraído pela filosofia, notadamente sob a influência de grandes empiricistas e cientistas ingleses como John Locke (1632-1704) e Isaac Newton (1642-1717), eventualmente as preocupações de ordem religiosa tornaram-se poderosamente dominantes em sua vida e pensamento. Tais preocupações finalmente o levaram ao ministério pastoral e à teologia.

Além da sua notável produção filosófica e teológica, Edwards destaca-se por outros fatores. Ele foi também um extraordinário pregador, cujos sermões, proferidos com a mais sincera convicção, causavam um poderoso impacto.(3) Em virtude disso, ele veio a ser um dos protagonistas do célebre avivamento religioso americano que ficou conhecido como o Grande Despertamento (1735-44). Mais ainda, com sua pena habilidosa, Edwards tornou-se o principal estudioso e intérprete do avivamento, registrando descrições e análises sobre os seus fenômenos espirituais e psicológicos que até hoje não foram superadas.

Finalmente, Edwards impressiona por sua grande síntese entre fé e razão, tanto em sua vida pessoal quanto em sua produção literária. Dotado de uma mente inquiridora e disciplinada, e acostumado a refletir sobre um tema até as suas últimas implicações, ele também foi um homem de espiritualidade profunda e transbordante, que teve como a maior das suas preocupações a celebração da graça e da glória de Deus.

No Brasil, a vida e contribuição de Edwards ainda são essencialmente desconhecidas nos meios evangélicos, até mesmo nos círculos acadêmicos.(4) A única coisa que muitos associam com ele é o célebre sermão "Pecadores nas mãos de um Deus irado,"(5) que, embora aborde um tema importante da sua teologia, está longe de ser representativo da sua obra como um todo e certamente não expressa algumas das principais ênfases da sua reflexão.

O objetivo do presente artigo é oferecer uma introdução ao estudo de Jonathan Edwards, o homem, o líder, o pensador cristão. Iniciaremos com uma síntese da sua vida e carreira ministerial, continuando com a apresentação e classificação dos seus escritos e uma análise de alguns pontos salientes da sua reflexão teológica, entre os quais as suas idéias acerca do avivamento.(6)

I. Dados Biográficos

Jonathan Edwards nasceu em East Windsor, Connecticut, em 5 de outubro de 1703, sendo seu pai um piedoso ministro congregacional. Precoce e religioso desde a sua meninice, aos 12 anos ele escreveu a uma de suas irmãs:

Pela maravilhosa bondade e misericórdia de Deus, houve neste lugar uma extraordinária atuação e derramamento do Espírito de Deus,... tenho razões para pensar que agora diminuiu em certa medida, mas espero que não muito. Cerca de treze pessoas uniram-se à igreja em um estado de plena comunhão.(7)

Depois de dar os nomes dos convertidos, ele acrescentou: "Acho que muitas vezes mais de trinta pessoas se reúnem às segundas-feiras para falar com o Pai acerca da condição das suas almas."

O lar de Edwards estimulou de maneira poderosa a sua vida espiritual e intelectual. Ele começou a estudar latim aos seis anos e aos treze também já havia adquirido um respeitável conhecimento de grego e hebraico. Após quatro anos de estudos no Colégio de Yale, em New Haven, Edwards obteve o seu grau de bacharel em 1720. Logo em seguida, encetou seus estudos teológicos na mesma instituição, obtendo o grau de mestre em 1722. Após pastorear uma igreja presbiteriana em Nova York por oito meses (1722-23) e atuar como professor assistente em Yale por dois anos, em 1726, aos 23 anos de idade, Edwards passou a trabalhar como pastor-assistente do seu avô, Solomon Stoddard (1643-1729), o famoso ministro da igreja de Northampton, Massachusetts. Essa igreja era provavelmente a maior e a mais influente da província, à exceção de Boston. Houve uma época em que chegou a ter seiscentos e vinte membros, incluindo quase toda a população adulta da cidade.

Em julho de 1727, Edwards casou-se com Sarah Pierrepont, então com 17 anos, filha de James Pierrepont, o conhecido pastor da igreja de New Haven, e bisneta do primeiro prefeito de Nova York. Os historiadores destacam a grande harmonia, amor e companheirismo que caracterizou a vida do casal.(8) Eles gostavam de andar a cavalo ao cair da tarde para poderem conversar e antes de se recolherem sempre tinham juntos os seus momentos devocionais.

Jonathan e Sarah tiveram 11 filhos, todos os quais chegaram à idade adulta, fato raro naqueles dias. Em 1900, um repórter identificou 1400 descendentes do casal Edwards. Entre eles houve 15 dirigentes de escolas superiores, 65 professores, 100 advogados, 66 médicos, 80 ocupantes de cargos públicos, inclusive 3 senadores e 3 governadores de estados, além de banqueiros, empresários e missionários.(9)

Em 1729, com a morte do seu avô, Jonathan tornou-se o pastor titular da igreja de Northampton, na qual, através de sua poderosa pregação, ocorreu um grande avivamento cinco anos mais tarde (1734-35).(10) O Grande Despertamento, que tivera os seus primórdios alguns anos antes entre os presbiterianos e reformados holandeses na Pensilvânia e Nova Jersey, cresceu com as pregações de Edwards e atingiu o seu apogeu no ano de 1740, com o trabalho itinerante do grande avivalista inglês George Whitefield (1714-1770).(11)

Em 1750, após 23 anos de pastorado, Jonathan Edwards foi despedido pela sua igreja. A razão principal foi a sua insistência de que somente pessoas convertidas participassem da Ceia do Senhor, em contraste com a prática anterior do seu avô. No seu sermão de despedida, depois de advertir a igreja sobre as contendas que nela havia e os perigos que isso representava, ele concluiu:

Portanto, quero exortá-los sinceramente, para o seu próprio bem futuro, que tomem cuidado daqui em diante com o espírito contencioso. Se querem ver dias felizes, busquem a paz e empenhem-se por alcançá-la (1 Pe 3.10-11). Que a recente contenda sobre os termos da comunhão cristã, tendo sido a maior, seja também a última. Agora que lhes prego meu sermão de despedida, eu gostaria de dizer-lhes como o apóstolo Paulo disse aos coríntios em 2 Coríntios 13.11: "Quanto ao mais, irmãos, adeus! Aperfeiçoai-vos, consolai-vos, sede do mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz estará convosco".(12)

No ano seguinte, Edwards foi para Stockbridge, uma região remota da colônia de Massachusetts, onde trabalhou como pastor dos colonos e missionário entre os índios. Em 1757, a sua excelência como educador e sua fama como teólogo e filósofo fizeram com que ele fosse convidado para ser o presidente do Colégio de Nova Jersey, a futura Universidade de Princeton. Em 22 de março de 1758, um mês após a sua posse, Edwards morreu devido a complicações resultantes de uma vacina contra varíola.

II. Produção Literária

A produção literária de Jonathan Edwards foi gigantesca.(13) Antes de completar vinte anos, quando ainda estudava teologia em Yale, ele começou a escrever o tratado filosófico Sobre o Ser. Pouco depois (1722-23), ele redigiu as suas célebres Resoluções e começou a escrever o seu Diário e as Miscelâneas. As Resoluções são 70 regras de disciplina pessoal que Edwards comprometeu-se a ler uma vez por semana durante o resto da sua vida.(14) Em seu Diário, ele faz um profundo auto-exame e preocupa-se em avaliar até que ponto estava cumprindo com as resoluções. Já as Miscelâneas são cadernos teológicos ou uma espécie de diário intelectual que Edwards escreveu ao longo de trinta e cinco anos e mostram o desenvolvimento do seu pensamento. Edwards também escreveu sobre suas experiências de vida em sua Narrativa Pessoal (1739), que oferece uma visão fascinante da sua infância, do relacionamento com o seu pai e de suas lutas com o seu próprio pecado e com as doutrinas calvinistas da soberania de Deus e da predestinação.

Algumas das obras mais penetrantes de Edwards tratam do fenômeno da psicologia religiosa, a partir das suas próprias experiências com os reavivamentos de Northampton e, posteriormente, com o Grande Despertamento como um todo. Seu primeiro escrito a tratar da natureza da experiência religiosa nesse contexto foi uma carta escrita em 1736, publicada no ano seguinte sob o título Fiel Narrativa da Surpreendente Obra de Deus (também conhecida como Narrativa de Conversões Surpreendentes). Essa carta analisa eventos ocorridos durante o reavivamento local em Northampton (1734-35). Alguns anos mais tarde Edwards publicou Marcas Distintivas de uma Obra do Espírito de Deus (1741) e Alguns Pensamentos Acerca do Presente Reavivamento da Religião na Nova Inglaterra (1742), tratando do movimento mais amplo.(15) Em 1746, ele publicou seu estudo mais amadurecido sobre a experiência do avivamento, o Tratado Sobre as Afeições Religiosas, baseado em uma série de sermões sobre 1 Pedro 1:8 ("... a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória"). Nessa obra ele argumenta que o verdadeiro cristianismo não é evidenciado pela quantidade ou intensidade das emoções religiosas, mas está presente sempre que um coração é transformado para amar a Deus e buscar o seu prazer.

Edwards também produziu muitas obras teológicas altamente significativas. À semelhança das suas obras sobre a experiência religiosa, os seus escritos teológicos têm uma dimensão prática, estando diretamente ligados a acontecimentos e preocupações do seu tempo. Por exemplo, a controvérsia em que se envolveu com a sua congregação sobre quem tinha o direito de participar da Santa Ceia levou-o a escrever Qualificações para a Comunhão, em 1749, onde argumenta que somente pessoas convertidas devem receber o sacramento.

Rejeitado por sua igreja, Edwards passou os últimos oito anos da sua vida na remota Stockbridge, período esse que foi o mais fértil na sua reflexão e produção teológica. Foi nessa época que ele escreveu seu monumental tratado A Liberdade da Vontade(16) (1754), onde argumenta que o ser humano é certamente livre (uma idéia crescentemente popular na Idade da Razão), mas Deus permanece soberano e é o único responsável pela salvação humana.(17) Outras obras escritas nesse período foram: O Fim Para o Qual Deus Criou o Mundo e A Natureza da Verdadeira Virtude(18) (publicadas postumamente em 1765); O Pecado Original (1758); e História da Obra da Redenção.

Edwards não chegou a concluir sua História da Obra da Redenção, um colossal tratado teológico na forma de uma história, em que ele planejava traçar a atuação de Deus desde a criação até os seus próprios dias. A fim de preparar-se para essa tarefa, Edwards leu todas as obras históricas a que teve acesso. O material básico do tratado, uma série de preleções feitas em 1739, foi publicado na Escócia em 1774 e nos Estados Unidos em 1786.

Outro volumoso conjunto de escritos deixados por Edwards são os seus sermões, um dos quais, "Deus é Glorificado na Dependência do Homem" (1 Co 1:29-31), pregado a um grupo de pastores de Boston em 1731, foi o primeiro dos seus escritos a ser publicado. Outro importante sermão é "Uma Luz Divina e Sobrenatural" (Mt 16:17), proferido em 1733. Ocupam lugar de destaque os seus 15 sermões sobre "A Caridade e seus Frutos" (1 Coríntios 13), pregados à igreja de Northampton em 1738, mas publicados somente em 1851.

A correspondência pessoal de Edwards também constitui-se em um volumoso e valioso conjunto de escritos, pois nela ele aborda os mesmos temas palpitantes dos seus tratados e sermões.(19) O seu "Relato do Reavivamento de Northampton em 1740-42" faz parte de uma carta que escreveu a um destacado ministro de Boston.

Edwards também escreveu uma biografia do famoso missionário aos indígenas norte-americanos David Brainerd (1718-1747) e publicou o seu Diário, um clássico devocional. Brainerd estava para casar-se com Jerusha, uma filha de Edwards, e morreu na casa deste aos 29 anos de idade, vitimado pela tuberculose.

III. Contexto Religioso e Intelectual

Quando Jonathan Edwards iniciou o seu ministério, a região em que vivia, a Nova Inglaterra, já vinha sendo colonizada pelos ingleses e seus descendentes há um século. Os colonizadores foram os célebres puritanos, calvinistas que lutaram por uma igreja mais pura no seu país de origem e que eventualmente vieram para o Novo Mundo a fim de viverem sem impedimentos de acordo com as suas convicções religiosas. Ao chegarem a Massachusetts, primeiro a Plymouth (1620) e depois a Salem e Boston (1629-30), eles procuraram edificar uma comunidade verdadeiramente cristã e uma igreja composta de pessoas convertidas e comprometidas com Deus. Apesar de alguns problemas, e de certa intolerância para com outros grupos que pensavam de maneira diferente, eles conseguiram realizar esses ideais por algum tempo.

Eventualmente, depois de um período inicial de sofrimentos e provações amargas, os colonos prosperaram materialmente na nova terra cheia de tantas oportunidades. No final do século XVII, a vida na Nova Inglaterra era em grande parte pacífica e confortável. A maioria das pessoas pertencia à classe média e quase não havia pobreza. O nível educacional também era relativamente alto.(20) Todo esse progresso havia sido alcançado por causa dos valores religiosos e éticos dos puritanos, como o seu amor ao trabalho, sua disciplina de vida, sua rejeição de vícios e a preocupação em serem bons mordomos das bênçãos de Deus. Porém, juntamente com a prosperidade material, ocorreu um declínio no fervor religioso entre as novas gerações. O cristianismo de muitos tornou-se meramente nominal; o mundanismo e a apatia espiritual afetaram seriamente as igrejas.

Ao mesmo tempo, as novas ideologias vindas da Europa estavam exercendo uma influência crescente sobre a sociedade. A Idade da Razão caracterizou-se pela crença na capacidade do ser humano para o bem, especialmente ao agir segundo os ditames da razão. O racionalismo iluminista e sua versão religiosa, o deísmo, ameaçavam diretamente não somente as convicções evangélicas e reformadas dos puritanos, mas também os próprios fundamentos do cristianismo histórico. Muitos pensadores europeus e americanos rejeitavam a idéia de uma humanidade pecadora que estava sob o julgamento de um Deus justo.

Como um homem culto e inquiridor, alguém que levava a sério as realidades e desafios do seu tempo, Edwards propôs-se, em sua reflexão e em sua prática, a defrontar-se com esse duplo ataque experimentado pela fé reformada. Ele envidou esforços não somente no sentido de que a vida e a espiritualidade da igreja resgatassem o que havia de positivo na experiência e contribuição dos puritanos, mas ao mesmo tempo procurou fazê-lo de maneira intelectualmente defensável, buscando demonstrar que não havia qualquer conflito intransponível entre fé e razão.

Sendo um líder solidamente firmado na tradição puritana, com sua ênfase na experiência espiritual, e não somente no conhecimento intelectual das verdades da fé, Edwards recebeu com alegria a eclosão do avivamento em sua própria igreja e posteriormente em escala mais ampla, não só na Nova Inglaterra mas em outras partes das colônias americanas. Os pregadores do Grande Despertamento não puseram de lado a ênfase puritana nas doutrinas, mas apelaram fortemente às emoções.(21) Alguns deram ênfase excessiva às manifestações físicas associadas com os sentimentos religiosos. As pessoas tocadas por um sermão poderiam desmaiar, gritar, contorcer-se, cantar e ter outros tipos de reações físicas.

Obviamente, nem todos os líderes religiosos ficaram empolgados com tais ocorrências. Muitos clérigos influenciados pelo racionalismo, dos quais o mais famoso era Charles Chauncy, de Boston, ressentiam-se com o entusiasmo religioso gerado pelo avivamento. Eles o consideravam uma ameaça à autoridade estabelecida da igreja. Entendiam que o subjetivismo religioso apelava aos instintos inferiores e que uma pessoa racional não necessitaria que as suas crenças fossem substanciadas por um coração aquecido e muito menos por desmaios, gemidos ou pulos de alegria.(22) Assim sendo, surgiram dois partidos: os pastores contrários ao avivamento, chamados Old Lights, que temiam uma ruptura da ordem e da autoridade religiosa, e os New Lights, favoráveis ao movimento, muitos dos quais também preocupavam-se com as distorções ocorridas.

IV. Interpretando o Avivamento

Jonathan Edwards defrontou-se com a difícil tarefa de defender o avivamento dos ataques dos críticos e ao mesmo tempo apontar os desvios e falsas concepções acerca da vida espiritual que o movimento podia gerar. Suas excepcionais qualificações intelectuais e espirituais contribuíram para fazer dele o notável intérprete do Grande Despertamento. Nas suas primeiras análises do tema, Fiel Narrativa da Surpreendente Obra de Deus (1736), Marcas Distintivas de uma Obra do Espírito de Deus (1741) e Alguns Pensamentos Acerca do Presente Reavivamento da Religião na Nova Inglaterra (1742), ele não só descreve com detalhes os acontecimentos verificados na sua igreja e na região, mas preocupa-se em responder às acusações de que o reavivamento limitava-se a emoções, superficialidade e desordem. Ele admitiu que o emocionalismo podia prejudicar o cristianismo autêntico, mas também defendeu o avivamento apontando para o culto mais intenso e para as vidas permanentemente transformadas.(23)

Curiosamente, ao escrever a última obra mencionada acima, Edwards baseou-se em parte nas experiências da sua esposa. Em janeiro de 1742, quando ele estava ausente fazendo conferências, Sarah teve uma intensa crise espiritual marcada por desmaios, visões e êxtases. Quando Edwards regressou, toda a cidade estava comentando o assunto. Ele sentou-se com Sarah, pediu-lhe que lhe contasse tudo o que ocorrera e escreveu toda a sua história. Sarah lhe disse que havia recebido uma certeza do favor de Deus como nunca havia experimentado até então, bem como o mais profundo sentimento de alegria espiritual. Edwards convenceu-se de que a experiência da sua esposa foi uma crise espiritual a ser atribuída à atuação de Deus e afirmou que a partir de então ela passou a realizar os seus deveres domésticos como um "serviço de amor" marcado por constante satisfação, paz e alegria.(24)

Todavia, suas idéias mais refletidas e profundas encontram-se no seu grande clássico, o Tratado Sobre as Afeições Religiosas (1746), escrito numa época em que a Grande Despertamento já havia perdido o seu ímpeto inicial. Edwards argumenta que a verdadeira religiosidade reside no coração, a sede dos afetos, emoções e inclinações. Ao mesmo tempo, ele descreve com detalhes os tipos de emoções religiosas que são em grande parte irrelevantes para qualquer aferição de uma verdadeira espiritualidade. A obra termina com uma apresentação das doze "marcas" que indicam a presença da religião verdadeira. Ele acentua, em síntese, que não é a quantidade de emoções que indicam a presença da verdadeira espiritualidade, mas a origem de tais emoções em Deus e a sua manifestação através de obras consoantes com a lei de Deus.

Portanto, Edwards destacou a centralidade das afeições na genuína experiência religiosa. Conforme ele mesmo afirma, "as Escrituras Sagradas em toda parte colocam a religião mui fortemente nas afeições, tais como temor, esperança, amor, ódio, desejo, alegria, tristeza, gratidão, compaixão e zelo."(25) Como pondera George Marsden, Edwards defendeu a religião do coração em contraste com os críticos do reavivamento que ficavam somente com uma religião da cabeça, um cristianismo que limitava-se a crer nas doutrinas certas e observar uma moralidade apropriada.(26) Por outro lado, em seu tratado Edwards delineou cuidadosamente alguns testes bíblicos para avaliar a genuína experiência religiosa, incluindo entre eles a ênfase na obra graciosa de Deus, doutrinas consistentes com a revelação bíblica e uma vida caracterizada pelos frutos do Espírito.

Essa ênfase numa espiritualidade calorosa e experimental é que torna Edwards tão atraente para o grande pastor e escritor reformado do século XX que foi D. Martin Lloyd-Jones. Ele considera que "em Edwards chegamos ao zênite ou ao ápice do puritanismo, pois nele temos o que vemos em todos os outros [puritanos], mas, em acréscimo, este espírito, esta vida, esta vitalidade adicional."(27) Além das experiências da sua esposa, Edwards também relata experiências pessoais de intensa emoção religiosa. Ele fala, por exemplo, do que lhe aconteceu em 1737, quando orava nos bosques, em meio a uma cavalgada, e teve uma visão da glória de Cristo que o manteve "a maior parte do tempo num mar de lágrimas, chorando em voz alta."(28)

Edwards admite, portanto, a possibilidade de manifestações emocionais e mesmo físicas como conseqüência de uma experiência religiosa genuína, de um verdadeiro encontro com Deus. Ele pode apontar para inúmeros exemplos bíblicos em que manifestações gloriosas do Ser Divino causaram um poderoso impacto sobre diferentes personagens. O que ele não concebe é que tais manifestações sejam evidências decisivas a favor ou contra a autenticidade de uma experiência religiosa. Elas não constituem uma norma geral: a maneira como alguém experimenta a realidade de Deus não é necessariamente igual à de outro. O que realmente revela se a experiência é verdadeira ou espúria são os efeitos, os frutos revelados na vida e na conduta, a médio e longo prazo.

V. A Centralidade de Deus

A espiritualidade e a prática pastoral de Edwards têm o seu fulcro em suas concepções a respeito de Deus. A sua teologia, suas noções acerca do avivamento, sua cosmovisão e a sua ética individual e social têm aqui o seu ponto de partida. Para Edwards, como bem aponta Lloyd-Jones, a religião é acima de tudo um encontro vivo e existencial com Deus.(29) Edwards dá forte ênfase à soberania, ao amor e à glória de Deus. O próprio propósito de Deus ao criar o universo foi expressar o seu amor, comunicar-se com as suas criaturas, revelar a sua glória e o seu resplendor. Para Edwards, como destaca Marsden, "a essência da verdadeira experiência religiosa consiste em ser prostrado pela visão da beleza de Deus, ser atraído pela glória das suas perfeições, sentir o seu amor irresistível."(30)

Assim atua a graça soberana de Deus: o coração humano é transformado pelo seu poder irresistível, mas esse poder não é exercido como uma força externa imposta à vontade. Antes, quando os olhos são abertos e a pessoa é cativada pela beleza, glória e amor de Deus, quando a pessoa vê esse amor manifesto supremamente na beleza do amor sacrificial de Cristo, ela é alegremente compelida a abandonar o amor-próprio como o princípio central da vida, voltando-se para o amor de Deus.(31) Edwards descreve o lado humano dessa experiência regeneradora como o recebimento de um sexto sentido – um senso da beleza, glória e amor de Deus.

Assim sendo, o conhecimento de Deus na verdadeira experiência cristã será um conhecimento "sensível." Ele é diferente do mero conhecimento especulativo, do mesmo modo como o sabor do mel é diferente da simples compreensão de que o mel é doce. Portanto, a verdadeira experiência cristã não fundamenta-se apenas no conhecimento e na afirmação das doutrinas cristãs verdadeiras, por importantes que elas sejam. Antes, é um conhecimento afetivo, ou um senso das verdades que as doutrinas descrevem. É o que Edwards afirma em seu célebre sermão "Uma Luz Divina e Sobrenatural":

Aquele que é espiritualmente iluminado... não crê de maneira meramente racional que Deus é glorioso, mas tem um senso da natureza gloriosa de Deus em seu coração. Não há somente uma percepção racional de que Deus é santo, e de que a santidade é uma coisa boa, mas há uma percepção do caráter atraente da santidade de Deus. Não há apenas a conclusão especulativa de que Deus é gracioso, porém o senso de quão amável Deus é, ou o senso da beleza deste atributo divino.(32)

Além de afirmar a centralidade de Deus na vida espiritual e na experiência religiosa do crente, Edwards também o faz com relação ao mundo material. As novas concepções científicas e filosóficas da Idade de Razão davam ênfase a um universo cada vez menos dependente de Deus. Este parecia desnecessário em um cosmos que funcionava independentemente seguindo as suas próprias leis. O Ser Supremo dos deístas estava mui distante da sua criação. Edwards reagiu contra essas idéias, afirmando que Deus deve ocupar um lugar central em toda a visão da realidade. A essência de Deus é o amor, o que para Edwards significa que Deus está constantemente comunicando o seu caráter, beleza, amor e glória às suas criaturas. Deus não é somente o Criador, mas a cada momento sustenta a sua criação e fala por meio dela. Deus é distinto da criação; todavia, a criação tem uma qualidade pessoal, sendo parte da linguagem pela qual Deus expressa a sua bondade e glória às suas criaturas.(33)

VI. Da Teologia à Ética

Sem abandonar a antropologia reformada tradicional, Edwards lhe dá novas ênfases e a expõe de maneira peculiar em sua reação aos postulados do arminianismo e do racionalismo. Como John H. Leith aponta, Edwards dá muito maior atenção à vontade humana do que o fez Calvino.(34) Em A Liberdade da Vontade, Edwards argumenta que a vontade não é uma faculdade independente, mas uma expressão da motivação humana mais fundamental. "Querer" algo é agir de acordo com os motivos mais fortes que existem no íntimo do indivíduo. O ser humano é moralmente livre para fazer o que lhe agrada, porém o que lhe agrada é determinado por motivos dos quais ele não é senhor.(35) Mark Noll observa que o que Edwards faz aqui é argumentar de maneira agostiniana e calvinista que as ações humanas são sempre consistentes com o caráter humano.(36)

Particularmente importantes para Edwards são as implicações soteriológicas dessa concepção da natureza humana. Aquele que é pecador por natureza jamais escolheria glorificar a Deus, a menos que o próprio Deus transformasse o caráter dessa pessoa, implantando um novo "senso do coração" para amar e servir a Deus. A regeneração, um ato de Deus, é o fundamento do arrependimento e da conversão, que são ações humanas. Em O Pecado Original, Edwards argumenta que toda a humanidade estava presente em Adão quando este pecou e por isso todos partilham da tendência para o pecado e da culpa que Adão trouxe sobre si mesmo. Assim, os indivíduos são responsáveis pela sua própria pecaminosidade e ao mesmo tempo estão presos aos ditames de uma natureza caída, até que sejam convertidos pela graça soberana de Deus.

Noll observa que grande parte dos temas centrais da teologia de Edwards estão presentes na reflexão ética que dominou o último período da sua vida.(37) Ele estava especialmente preocupado em contestar a "nova filosofia moral" do Iluminismo, segundo a qual o ser humano possui certa faculdade natural que, adequadamente cultivada, aponta o caminho para uma vida virtuosa. Em reação a isso, Edwards afirma enfaticamente que a verdadeira virtude não pode ser entendida à parte de Deus e da sua revelação. Em A Natureza da Verdadeira Virtude, Edwards argumenta que a genuína moralidade somente pode resultar da graça regeneradora de Deus.

A abordagem de Edwards nessa obra é tríplice. Primeiramente, ele reconheceu algum valor na obra dos novos moralistas. Por causa da graça comum, as pessoas possuem uma capacidade natural de agir eticamente em um determinado sentido. Em segundo lugar, no entanto, Edwards insistiu que os benefícios sociais da virtude natural ficam aquém da verdadeira virtude. Para ele, o fundamento inabalável continua sendo a graça regeneradora pela qual Deus vivifica o pecador. Estritamente falando, não há nenhuma coisa verdadeiramente boa que não seja sempre e em toda parte dependente de Deus. Finalmente, Edwards também procurou demonstrar que a imagem da virtude apresentada pelos novos filósofos morais era simplesmente um misto de prudência, interesse pessoal e amor-próprio. Com tudo isso, ele quis preservar a particularidade da graça e reafirmar a bondade de Deus como a única fonte legítima da verdadeira virtude.(38)

Essas considerações suscitam novamente a questão do avivamento, porque para Edwards existe sempre uma profunda conexão entre ética e espiritualidade. Não se pode separar a autêntica experiência de Deus dos frutos individuais e comunitários que necessariamente produz. É essa precisamente a ênfase do Tratado sobre as Afeições Religiosas, no qual Edwards analisa o avivamento a partir da experiência pessoal do crente. Ao enumerar os sinais fidedignos e não fidedignos da verdadeira espiritualidade, ele fornece princípios valiosos pelos quais é possível avaliar se uma obra espiritual ou um movimento religioso procede efetivamente do Espírito de Deus. Luiz Mattos sintetiza tais princípios da seguinte maneira:

Quaisquer manifestações externas resultantes de experiências extraordinárias não constituem um sinal confiável de espiritualidade e não evidenciam uma obra genuína do Espírito.

Uma obra autêntica do Espírito de Deus produz uma transformação radical da natureza da alma individual, que irá manifestar-se em uma conduta e em práticas inteiramente novas, revelando progressivamente a própria imagem de Cristo implantada no crente.(39)

Em outras palavras, a experiência religiosa verdadeira produz uma mudança ética individual que eventualmente irá externar-se na coletividade. Se tal mudança não puder ser percebida, seja no indivíduo, seja na comunidade, o reavivamento deve ser contestado como uma obra genuína de Deus. Esse aspecto social do reavivamento é elaborado por Edwards no seu tratado inconcluso História da Obra da Redenção, no qual, sob a ótica de sua posição pós-milenista, ele argumenta que uma coletividade que experimenta o avivamento irá apresentar os sinais da manifestação do reino de Deus. Essa sociedade "será dramaticamente transformada, não por qualquer esforço humano político ou revolucionário, mas pela ética do Reino a permear todos os relacionamentos."(40)

Finalmente, é nas magníficas obras gêmeas O Fim Para o Qual Deus Criou o Mundo e A Natureza da Verdadeira Virtude, bem como na rica série de sermões intitulada A Caridade e Seus Frutos, que Edwards expressa alguns de seus mais sublimes pensamentos acerca da experiência religiosa, focalizando-a, como é sempre a sua preocupação, firmemente em Deus. Embora existam fins subordinados pelos quais Deus decidiu criar o mundo, entre os quais a felicidade do ser humano, somente pode haver um fim último e supremo, a saber, a manifestação da glória do próprio Deus. A felicidade é parte do propósito final de Deus para o ser humano, mas não a felicidade que provém de um estilo de vida egocêntrico, e sim aquela que resulta de se viver para a glória de Deus. Isso se evidencia acima de tudo através do amor, primeiramente para com Deus e então para com as outras pessoas.

Um avivamento genuíno é aquele em que Deus, sua glória e vontade, constituem a motivação primordial, todos os outros interesses estando subordinados a esse. Como aponta Luiz Mattos, "a expectativa de manifestações extraordinárias ou dons extraordinários não percebe de maneira adequada o alvo final de Deus ao conceder tais despertamentos."(41) A manifestação suprema a ser desejada é o fruto mais rico do Espírito de Deus, o amor, que irá traduzir-se em relacionamentos humanos transformados e enriquecidos.

Conclusão

Jonathan Edwards foi inteiramente contrário à separação entre "coração" e "cabeça" que tantas vezes tem afetado os evangélicos. Uma das peculiaridades da sua obra teológica é justamente o fato de unir o mais rico sentimento religioso aos mais elevados poderes intelectuais. Por um lado, à semelhança de muitos filósofos seculares do Iluminismo, ele acreditava que o ser humano é capaz de raciocinar adequadamente e resolver problemas de maneira lógica. Por outro lado, Edwards fez uma síntese entre fé e razão que o põe em continuidade com grande parte da história do pensamento cristão.

Embora tenha sido um pensador independente e original, ele estava cônscio da obra de precursores seus como os reformadores e os puritanos, e certamente foi influenciado por eles. Ainda que não tenha sido um seguidor servil de Calvino, Edwards foi um defensor convicto do calvinismo. A sua originalidade está não tanto no conteúdo do seu pensamento quanto na sua maneira de pensar, produzindo uma grande quantidade de argumentos novos e profundos em apoio das antigas doutrinas da graça. Warfield opina que a defesa do calvinismo feita por Edwards deteve por mais de um século a conquista da Nova Inglaterra pelo arminianismo.(42)

Como bem aponta Lloyd-Jones, Edwards evidencia-se pelo equilíbrio em suas posições teológicas e práticas.(43) Ao mesmo tempo que combate o arminianismo, ele também se opõe ao hiper-calvinismo. Ele afirma com igual ênfase a importância da vida piedosa, de devoção e cultivo da interioridade, mas também a necessidade de que essa vida produza frutos visíveis nos relacionamentos e na comunidade. No entanto, as suas escolhas e prioridades são bem definidas. Apesar da grande atração que sente pela razão e pelo intelecto, nele o aspecto espiritual sempre domina o intelectual e as Escrituras sempre se sobrepõem às especulações filosóficas.

Edwards não esconde a sua apreciação por uma espiritualidade fervorosa e intensa. Ele é de fato o teólogo do avivamento, da experiência, do coração.(44) Mas isso não significa que a experiência seja o critério da verdade. Significa apenas que o cristianismo tem de ser experimental e prático, não apenas racional e cognitivo. A norma suprema de fé e o critério pelo qual se deve aquilatar toda e qualquer experiência religiosa é sempre a Escritura. Curiosamente, Edwards entende que não somente os adeptos do avivamento podem apelar erroneamente para as suas experiências pessoais subjetivas, como também os opositores do avivamento. Aqueles que não vivenciaram certas realidades espirituais, aqueles que não experimentaram determinadas "afeições" religiosas em sua vida, também não podem apelar para essa falta de uma experiência mais profunda de Deus para condenar os que a tiveram.

Por todas essas razões, Edwards é muito útil para as discussões atuais acerca da verdadeira espiritualidade. Seu critério básico para definir a questão é o mesmo que deve ser observado pela igreja contemporânea: verificar até que ponto Deus ocupa o lugar central da vida, do culto, das práticas e do testemunho. Além de advertir contra o mero emocionalismo, que excita as emoções mas não produz transformações duradouras, Edwards também combate o erro de se dar ênfase não a Deus, mas às respostas humanas a Deus, algo tão comum nos nossos dias com toda a celebração do eu, a empolgação religiosa e os testemunhos auto-gratulatórios. Em última análise, o que determina se a conversão e a vida espiritual são genuínas ou não, são os seus frutos visíveis: convicção de pecado, seriedade nas coisas espirituais, preocupação com a glória de Deus, apego às Escrituras, mudança no comportamento ético, relações pessoais transformadas e influência regeneradora na comunidade.